Quando a juventude perde o sentido: um alerta urgente para pais, educadores e sociedade
O suicídio está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, é a terceira causa de morte entre adolescentes do sexo masculino e a segunda entre as meninas, atrás apenas de acidentes e violências.
Apesar de serem vistos como a geração “conectada, criativa e promissora”, os jovens estão adoecendo em silêncio. Por trás das redes sociais, dos vídeos curtos e dos sorrisos editados, muitas vezes existem sofrimentos profundos, inseguranças, transtornos emocionais e solidão extrema.
Números que preocupam (e explicam muito)
No Brasil, mais de 44% dos suicídios entre indígenas ocorrem na faixa de 10 a 19 anos.
Entre 2007 e 2016, o suicídio entre jovens cresceu de forma consistente, com aumento de tentativas por intoxicação especialmente em meninas abaixo dos 20 anos.
Bullying, abuso sexual, pressão por desempenho, falta de escuta e abandono emocional estão entre os principais gatilhos.
Por que os adolescentes estão tão vulneráveis?
A adolescência é um período de intensas transformações hormonais, cognitivas, sociais e identitárias. Tudo muda – o corpo, os sentimentos, os vínculos. Isso, somado a fatores externos, torna essa fase extremamente sensível:
Cobrança excessiva por sucesso e aparência nas redes sociais
Falta de conexão real com adultos de confiança
Ambiente escolar tóxico ou desestruturado
Baixa autoestima, automutilação e depressão não diagnosticada
Exposição a conteúdos nocivos ou romantização do suicídio online
É importante lembrar que os jovens nem sempre conseguem nomear o que sentem, o que dificulta ainda mais o pedido de ajuda.
O que a escola e a família podem (e devem) fazer?
Abrir canais de escuta e diálogo constante.
Evitar o discurso de comparação ou minimização da dor.
Ficar atento a mudanças bruscas de comportamento, notas ou vínculos.
Incentivar o autoconhecimento e o cuidado com a saúde mental.
Buscar apoio especializado ao menor sinal de sofrimento persistente.
A escola pode ser um espaço de acolhimento e prevenção se investir em projetos de saúde emocional, rodas de conversa, formação de professores e atuação conjunta com a família.
A importância de abordar o suicídio sem tabus
Muitos ainda acreditam que falar sobre suicídio “incentiva” ideias negativas, mas os dados mostram o contrário: o silêncio mata muito mais. Ao abordar o tema com respeito e informação, mostramos ao jovem que ele não está sozinho e que há caminhos de cuidado e superação.
Quando buscar ajuda profissional?
Se o adolescente apresentar:
Isolamento constante
Autolesões ou falas de desistência
Alterações intensas no sono, alimentação ou comportamento
Fuga de situações sociais e queda de desempenho escolar
...é hora de procurar psicólogos, psiquiatras, serviços do SUS, escolas com apoio psicopedagógico ou CAPS Infantojuvenis.
O CVV atende jovens, adultos e familiares em todo o Brasil – ligue 188 gratuitamente a qualquer hora.
No próximo artigo da série: “Mídia e Suicídio: A Responsabilidade de Comunicar sem Ferir”
Vamos analisar como a maneira de divulgar suicídios na imprensa, redes sociais e séries pode influenciar comportamentos – e como profissionais de comunicação podem atuar com ética e consciência.