Síndrome de Asperger: Quando a Ordem do Dia Pode Ser um Grito de Ajuda

Publicado por: Feed News
22/03/2025 18:45:49
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Ilustração Cortesia Editorial Ideia
Ilustração Cortesia Editorial Ideia

Síndrome de Asperger: Quando a Ordem da Vida Esconde um Universo de Sintomas

 

Síndrome de Asperger: Como a Vida Cotidiana Ordenada Pode Esconder os Sintomas de um Transtorno do Espectro Autista

A síndrome de Asperger é um transtorno do neurodesenvolvimento que faz parte do espectro do autismo. Embora pessoas com Asperger apresentem inteligência preservada e, em muitos casos, habilidades excepcionais, elas também convivem com desafios significativos — especialmente na comunicação social, na empatia e na flexibilidade de comportamentos. A vida cotidiana dessas pessoas é muitas vezes marcada por uma necessidade de ordem e rotina que, embora pareça apenas um traço de personalidade, pode ser sintoma de algo mais profundo.

 

O que é a Síndrome de Asperger?

Classificada por muito tempo como uma condição isolada, hoje a síndrome de Asperger está inserida dentro do diagnóstico mais amplo de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Trata-se de uma forma mais branda do espectro, em que a linguagem e a cognição não apresentam atrasos significativos. Porém, a capacidade de interpretar gestos, compreender ironias, adaptar-se a mudanças e se relacionar com o outro pode ser profundamente comprometida.

 

Sintomas Iniciais: Quando Prestar Atenção

Os primeiros sinais da síndrome de Asperger podem surgir entre os 3 e 5 anos, embora o diagnóstico muitas vezes só ocorra na infância tardia ou mesmo na idade adulta. Pais e educadores devem ficar atentos aos seguintes comportamentos:

  • Dificuldade de interação social, com pouco interesse em brincadeiras coletivas;

  • Expressões faciais rígidas ou reduzidas;

  • Fala com entonação incomum (plana, aguda, ou muito formal);

  • Interesses restritos e fixação por temas específicos;

  • Resistência a mudanças de rotina, demonstrando grande incômodo com alterações mínimas;

  • Sensibilidade elevada a sons, luzes ou texturas;

  • Dificuldade em compreender emoções e pontos de vista alheios.

 

Vida Cotidiana: Quando a Ordem se Torna um Sintoma

A busca por rotinas estruturadas é comum em pessoas com Asperger. Elas podem realizar tarefas com precisão quase obsessiva, reorganizar objetos constantemente ou repetir movimentos como uma forma de manter o controle do ambiente. Isso garante uma sensação de segurança, mas pode interferir nas relações sociais, escolares e familiares. Pequenas mudanças — como uma alteração no caminho para a escola ou uma cadeira fora do lugar — podem provocar crises de ansiedade ou irritação.

 

Diferenças entre Meninos e Meninas com Asperger

As estatísticas mostram uma prevalência quatro vezes maior de diagnóstico entre meninos. No entanto, meninas com Asperger muitas vezes passam despercebidas por desenvolverem estratégias de camuflagem social. Elas observam, imitam e copiam comportamentos, o que pode adiar o diagnóstico por anos. Por isso, é essencial que os sinais mais sutis não sejam ignorados, como a fala monótona, o apego exagerado a rotinas e o isolamento social silencioso.

 

Diagnóstico: Da Infância à Vida Adulta

O diagnóstico da síndrome de Asperger requer uma equipe multidisciplinar, formada por pediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, psiquiatras e neurologistas. Para crianças, é realizada uma entrevista detalhada com os pais, observações clínicas e testes de linguagem, cognição e comportamento social. Já em adultos, o diagnóstico se baseia em testes psicológicos específicos, entrevistas clínicas e avaliação psiquiátrica. Muitas vezes, o adulto procura ajuda ao perceber dificuldades crônicas em ambientes sociais ou profissionais, sem saber que vive com Asperger desde a infância.

 

Existe Terapia? O Que Pode Ser Feito?

Embora não haja cura para o transtorno, existem terapias altamente eficazes para melhorar a qualidade de vida das pessoas com Asperger. Intervenções como terapia comportamental, treinamento de habilidades sociais, apoio psicopedagógico e até medicação para sintomas associados (como ansiedade e TDAH) são comuns. O objetivo não é mudar quem a pessoa é, mas ajudá-la a se adaptar melhor ao mundo — e fazer com que o mundo também aprenda a acolhê-la com empatia e compreensão.

 

Considerações Finais

A síndrome de Asperger ainda é mal compreendida por grande parte da população. Por trás de uma rotina rígida, de uma fala monótona ou de um interesse aparentemente exagerado por dinossauros ou horários de ônibus, pode haver uma mente brilhante — mas que percebe o mundo de uma forma única. Com o diagnóstico precoce, acolhimento e terapias adequadas, é possível transformar limitações em potenciais e construir uma vida com mais inclusão, respeito e autonomia.

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