Estresse contagioso, hipnoterapia e a conexão cérebro-intestino: um psiquiatra responde a perguntas incômodas

Publicado por: Feed News
19/03/2025 19:47:34
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Ilustração Cortesia Editorial Ideia
Ilustração Cortesia Editorial Ideia

Descubra como o estresse se espalha, a relação entre o intestino e o humor, e por que a hipnoterapia pode ser útil (mas não para tudo).

 

Todos nós já tivemos perguntas estranhas ou embaraçosas sobre saúde mental que não sabemos a quem dirigir. A psiquiatria, muitas vezes vista como um campo complexo e cheio de termos técnicos, pode parecer uma floresta densa e inacessível. Para ajudar a esclarecer algumas dessas dúvidas, um psiquiatra foi consultado e respondeu a várias perguntas intrigantes. Anotei tudo e reuni as informações para compartilhar com você.

 

Depressão e sono: uma relação complicada

Quando alguém está deprimido, os ritmos circadianos — nosso relógio biológico — podem parar de funcionar corretamente ou até mesmo "desligar". Por isso, uma das primeiras perguntas que os psiquiatras fazem aos pacientes é sobre a qualidade do sono. Muitas pessoas associam depressão a dormir demais, mas o oposto também pode acontecer: acordar muito cedo, sem motivo aparente, como às 5 da manhã. Isso ocorre porque o ciclo do sono é alterado, muitas vezes devido à falta de neurotransmissores como serotonina, norepinefrina e acetilcolina, que são essenciais para regular o humor e o sono.

 

O estresse é contagioso?

Sim, o estresse pode ser contagioso. Um estudo analisou o efeito de um palestrante nervoso sobre sua plateia. Após o discurso, amostras de saliva foram coletadas tanto do orador quanto dos ouvintes. O resultado? Os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, estavam elevados em todos. Isso sugere que o estresse pode se espalhar como uma onda, afetando não apenas quem o sente diretamente, mas também quem está ao redor.

 

Hipnoterapia: o que ela pode (e não pode) fazer

A hipnoterapia pode ser eficaz em certos casos, como ajudar pessoas a parar de fumar, reduzir a agressividade ou tratar distúrbios do sono. No entanto, ela não é capaz de alterar os níveis de neurotransmissores no cérebro, o que significa que não é uma solução para a depressão em si. A técnica pode ser útil como complemento, mas não substitui tratamentos médicos quando necessário.

 

Psicologia vs. Psiquiatria: qual a diferença?

Enquanto psicólogos são profissionais treinados para oferecer terapia e apoio emocional, psiquiatras são médicos que podem prescrever medicamentos. Se você está passando por um momento difícil e precisa de alguém para conversar, um psicólogo pode ser a escolha certa. Por outro lado, se a situação exigir intervenção medicamentosa, como no caso de depressão severa, um psiquiatra é o profissional indicado.

 

Narcisismo leve: até onde é normal?

Um pouco de narcisismo é comum e até saudável. No entanto, quando alguém começa a pensar apenas em si mesmo, sem considerar os outros, isso pode se tornar problemático. Em casos extremos, o narcisismo pode evoluir para uma falta completa de empatia e respeito, caracterizando o que os especialistas chamam de "narcisismo maligno", que pode estar associado à psicopatia.

 

A conexão cérebro-intestino: como o intestino afeta o humor

Pesquisas recentes mostram que existe uma forte conexão entre o cérebro, o intestino e a microbiota intestinal. O estresse, por exemplo, pode afetar a produção de serotonina no intestino — sim, grande parte desse neurotransmissor é produzida lá, não no cérebro. Além disso, inflamações causadas pelo estresse podem prejudicar o funcionamento do nervo vago, que está ligado à depressão. Manter um intestino saudável, portanto, pode ser uma forma de melhorar o humor e a saúde mental.

 

Depressão e perda de memória: uma ligação preocupante

A depressão pode levar à perda de memória e à dificuldade de processar informações. Isso ocorre devido à falta de glutamato, um neurotransmissor essencial para a memória. Em estados depressivos, a velocidade de processamento de informações pode cair em até 40%, uma condição conhecida como pseudodemência. Embora não seja uma demência real, é um sintoma que pode ser bastante debilitante.

 

Ataques de pânico: como lidar com eles

Um ataque de pânico pode surgir do nada, com sintomas como aperto no peito, dificuldade para respirar, sudorese e até dor. A ansiedade atinge um pico em poucos minutos, mas o impacto emocional pode durar muito mais. Para lidar com isso, uma técnica útil é o método de aterramento, como a técnica 3-3-3: concentre-se em três coisas ao seu redor, ouça três sons diferentes e mova três partes do corpo. Respirar profundamente pelo nariz e expirar lentamente pela boca também pode ajudar.

 

Ômega-3: um aliado para o cérebro

Os ácidos graxos ômega-3, encontrados em peixes gordurosos, podem melhorar o fluxo sanguíneo para o cérebro e até aumentar o volume do hipocampo, uma área associada à memória e ao humor. A dose recomendada é de 1 a 2 gramas por dia, podendo chegar a 4 gramas, mas o excesso pode ser prejudicial. Se você consome peixes gordurosos regularmente, pode não precisar de suplementação.

 

Esquizofrenia: uma doença complexa

A esquizofrenia está ligada a mais de 200 genes, e seu desenvolvimento pode ser influenciado por fatores ambientais, como o uso de substâncias ou traumas. Embora a genética desempenhe um papel importante, nem sempre há histórico familiar da doença. Pesquisadores continuam estudando como prevenir e tratar essa condição.

 

Superando a depressão: medicação e terapia

A depressão pode ser tratada com sucesso, especialmente quando combinamos medicação e terapia. Medicamentos como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) ajudam a aumentar as conexões sinápticas no cérebro, melhorando o humor. Estudos mostram que a combinação de terapia e medicação é mais eficaz do que qualquer um dos tratamentos isoladamente.

 

Genética e doenças mentais

Algumas condições psicológicas, como transtorno bipolar, esquizofrenia e autismo, têm fortes componentes genéticos. No entanto, o ambiente também desempenha um papel crucial. A epigenética estuda como fatores externos podem "ativar" ou "desativar" genes, influenciando o surgimento de doenças.

 

Conclusão

Essas são apenas algumas das muitas perguntas que o psiquiatra respondeu. Se você tem dúvidas ou preocupações sobre sua saúde mental, não hesite em procurar um especialista. A psiquiatria e a psicologia estão aqui para ajudar, e buscar orientação é o primeiro passo para cuidar de si mesmo.

 

Convite para o próximo artigo:
Gostou de entender mais sobre saúde mental e as respostas do psiquiatra? No próximo artigo, vamos explorar como a alimentação influencia o cérebro e o humor, com dicas práticas para melhorar sua saúde mental através da dieta. Não perca!

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