01. Suicídio no Brasil: Um Grito Silencioso – A Realidade que Precisamos Encarar

Publicado por: Feed News
30/03/2025 16:27:38
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A dor silenciosa de quem pensa em desistir precisa ser escutada com empatia e ação./Ilustração Cortesia Editorial Ideia
A dor silenciosa de quem pensa em desistir precisa ser escutada com empatia e ação./Ilustração Cortesia Editorial Ideia

A cada 40 segundos, o mundo perde uma vida para o suicídio – e o Brasil não está imune

O suicídio é uma realidade dolorosa, crescente e prevenível. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, o que significa uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, são mais de 11 mil casos por ano, uma média de 30 mortes por dia, número superior à maioria das doenças infecciosas.

Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a quarta maior causa de morte, sendo a terceira entre os homens e a oitava entre as mulheres. Em 2016, a taxa nacional foi de 6 por 100 mil habitantes, com disparidades marcantes entre homens (9,2) e mulheres (2,4).

 

Quem são os mais afetados? Um retrato cruel da desigualdade

Os números mostram que a taxa de suicídio entre homens cresceu 28% entre 2007 e 2016, revelando uma escalada preocupante. Mas o cenário é ainda mais alarmante entre populações específicas:

  • Povos indígenas têm taxas elevadas, com 44,8% dos suicídios ocorrendo entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos.

  • Pessoas brancas têm maiores taxas absolutas, mas o aumento proporcional é maior entre populações negras e indígenas.

  • Sergipe, Ceará e Goiás lideram em mortes por intoxicação exógena intencional, método frequente em tentativas de suicídio.

 

Métodos letais e tentativas: o que revelam os dados brasileiros

De 2007 a 2016, o Brasil registrou 106.374 mortes por suicídio. O enforcamento é o método mais letal (60%), seguido por intoxicação exógena (18%) e armas de fogo (10%).

Por outro lado, as tentativas de suicídio quintuplicaram em 10 anos, especialmente entre mulheres jovens, com 69,9% dos casos registrados entre o sexo feminino. O principal método foi ingestão de medicamentos, seguido por raticidas e agrotóxicos.

Metade das tentativas por intoxicação exógena ocorreram na região Sudeste e 76% foram entre mulheres com menos de 40 anos.

 

O que está sendo feito? Políticas públicas e desafios no Brasil

O Ministério da Saúde tem ampliado os esforços de prevenção:

  • R$ 6,5 milhões foram destinados à prevenção do suicídio em 2023.

  • R$ 4,5 milhões investidos em pesquisas sobre risco de suicídio em pessoas vivendo com HIV e transtornos mentais.

  • 188: O número de emergência do CVV agora é gratuito em todo o país. Em 2017, foram recebidas 2 milhões de ligações.

  • 109 novos CAPS foram implantados em um ano, reforçando a rede de acolhimento em saúde mental.

  • Estados como Amazonas, Roraima, MS, RS, SC e PI receberam incentivos diretos para implantar ações específicas de prevenção.

  • Redução de 10,2% dos óbitos por suicídio em comunidades indígenas onde a estratégia foi construída com protagonismo das lideranças locais.

 

O que mais precisamos fazer? Ações que salvam vidas

A prevenção do suicídio passa por ações integradas, como:

  • Educação emocional nas escolas, especialmente voltada para adolescentes.

  • Identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico.

  • Regulação do uso de substâncias tóxicas, como agrotóxicos e medicamentos controlados.

  • Campanhas de mídia responsáveis, que não reforcem o estigma nem romantizem a dor.

  • Valorização e expansão dos CAPS, que segundo o Ministério, reduzem em 14% o risco de suicídio em municípios onde estão presentes.

 

É tempo de escuta, ação e empatia

O suicídio não é uma escolha, é um desespero profundo. Falar sobre isso salva vidas. Criar uma rede de apoio, acolhimento e informação é responsabilidade de todos.

Se você está passando por momentos difíceis, procure ajuda. Ligue 188 (CVV). O serviço é gratuito, anônimo e funciona 24 horas.

 

No próximo artigo da série: “Como identificar sinais e ajudar uma pessoa em risco”

Vamos detalhar comportamentos que indicam sofrimento psíquico, como agir com empatia, o que dizer (e o que evitar) e onde buscar ajuda profissional.

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