Ferramenta de IA do Google dá informações falsas sobre doenças graves; especialistas fazem alerta urgente: automedicar-se ou seguir conselhos de algoritmos pode agravar doenças e até impedir tratamentos que salvam vidas.
Está com um sintoma e sua primeira reação é jogar no Google? Cuidado. Essa prática comum, agora potencializada por Inteligência Artificial, pode ser uma ameaça real à sua saúde. Uma investigação detalhada mostra que a ferramenta AI Overviews do Google tem fornecido informações médicas falsas e recomendações perigosas para doenças sérias.
O caso mais grave envolve o câncer de pâncreas. Enquanto a IA sugere cortar gorduras, os oncologistas exigem uma dieta rica em calorias para manter o peso do paciente. Seguir o conselho errado da máquina pode levar a uma perda de peso crítica, fazendo com que a pessoa fique muito fraca para enfrentar a quimioterapia ou uma cirurgia necessária.
A IA também erra feio em outros fronts: dá resultados de exames de fígado sem o contexto necessário (idade, gênero), criando a ilusão de que está tudo bem quando não está, e confunde a função do exame de Papanicolau, fazendo com que mulheres ignorem sintomas reais. Para quem sofre com crises de saúde mental, os resumos gerados podem ser incompletos e até prejudiciais.
80% dos adultos buscam sintomas online, e a maioria acredita nas respostas. Mas os médicos batem o martelo: os algoritmos "alucinam" e usam dados antigos. A IA não tem formação, não ouve sua história e não examina você.
O recado da comunidade médica, reforçado por este caso, é urgente e direto: desconfie de diagnósticos online. Nenhuma busca, por mais avançada que seja, substitui a consulta presencial com um médico. Sua vida pode depender dessa decisão.
Enquanto a China já propõe regras para limitar danos de chatbots, a lição é: use a tecnologia com extrema cautela quando o assunto é sua saúde.