Aprovado pelo FDA, medicamento oral promete revolucionar o acesso ao tratamento, mas chega ao mercado sob o espectro de ações judiciais relacionadas a efeitos colaterais graves.
A corrida farmacêutica pelo tratamento da obesidade ganhou um novo capítulo decisivo. Acaba de chegar ao mercado norte-americano a primeira versão em comprimido do popular medicamento Wegovy, um análogo oral que promete a mesma eficácia da sua versão injetável.
A pílula, desenvolvida pela dinamarquesa Novo Nordisk com base no princípio ativo semaglutida, foi aprovada pela agência reguladora dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), no fim do ano passado. O medicamento já está disponível para prescrição em mais de 70 mil farmácias em todo o país.
A semaglutida age como um agonista do receptor GLP-1, um hormônio natural que regula tanto os níveis de açúcar no sangue quanto a sensação de apetite. Por esse mecanismo, já é consagrada no tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, da obesidade.
De acordo com a fabricante, os resultados clínicos são equivalentes aos das injeções. Em ensaios, pacientes que usaram a dose mais alta do comprimido para obesidade perderam, em média, 6,4% do peso corporal em pouco mais de três meses. A empresa projeta que, com a adesão total ao protocolo, a perda de peso pode chegar a 17%.
O regime é de um comprimido por dia, com custo mensal variando entre US$ 150 e US$ 300, dependendo da dosagem. O lançamento é um marco na acessibilidade e conveniência para milhões de pacientes.
Controvérsia em Meio à Inovação
No entanto, este avanço chega em um momento de tensão judicial. Nos EUA, dezenas de pacientes que usaram medicamentos da classe GLP-1 (como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Trulicity) estão processando as fabricantes Novo Nordisk e Eli Lilly. Eles alegam que os remédios teriam causado sérios efeitos colaterais, incluindo um quadro de cegueira. Mais de 70 processos já estão em andamento em cortes federais e estaduais, um alerta que a comunidade médica e os pacientes acompanham de perto.