Perder peso durante o tratamento não é normal. É um sinal de alerta. Este guia prático da TV Saúde traz as 5 perguntas para fazer ao médico, cardápios inteligentes para cada efeito colateral e o papel decisivo da família, baseado no alerta de especialistas.
A desnutrição e a perda de massa muscular (chamada de sarcopenia) são os maiores sabotadores do tratamento contra o câncer. Elas não são apenas consequências, são complicações graves que reduzem a tolerância à quimioterapia, aumentam os efeitos colaterais, pioram a qualidade de vida e elevam o risco de morte. A boa notícia? É uma batalha que pode ser vencida com informação e ação prática. Este guia da TV Saúde vai direto ao ponto: o que fazer, como fazer e quem procurar.
Primeiro Passo: A Avaliação que não Pode Falhar
A intervenção nutricional deve começar no diagnóstico. Na sua primeira consulta com o oncologista, faça estas 5 perguntas-chave:
"Qual é a condição nutricional do(a) senhor(a) hoje? Podemos fazer uma avaliação com um nutricionista especializado em oncologia?"
"Há risco de desenvolver sarcopenia (perda muscular severa)? Como vamos monitorar isso?"
"Quais são os riscos nutricionais específicos para o meu tipo de tumor e tratamento proposto?"
"Quais suplementos nutricionais orais (como os em pó ou líquidos) são indicados para o meu caso, e como o plano de saúde cobre isso?"
"Quais sinais de alerta em casa (ex: peso, dificuldade para comer) justificam um contato urgente com a equipe?"
Segundo Passo: Estratégias na Cozinha para Cada Desafio
A teoria é importante, mas a prática salva vidas. Adapte a alimentação aos efeitos colaterais:
Contra Náuseas e Falta de Apetite: Coma em pequenas porções, 6 a 8 vezes ao dia. Priorize alimentos frios ou à temperatura ambiente (sanduíches naturais, iogurte, queijos, frutas), que têm menos odor. Evite líquidos durante as refeições sólidas para não encher o estômago rápido demais.
Contra Dificuldade de Engolir ou Feridas na Boca (Mucosite): Bata tudo no liquidificador. Invista em sopas cremosas e nutritivas (ex: de mandioquinha com frango desfiado batido, de feijão com legumes), vitaminas hipercalóricas (leite integral + banana + aveia + uma colher de pasta de amendoim) e purês enriquecidos (purê de batata com queijo cottage e azeite).
Contra o Gosto Metálico ou Alterado (Disgeusia): Use talheres de plástico ou bambu. Marinar carnes em suco de limão, laranja ou vinagre antes de cozinhar. Aposte em temperos frescos como salsa, cebolinha, manjericão e hortelã. Proteínas de origem vegetal (como um homus cremoso ou patê de lentilha) e ovos podem ser melhor aceitos.
Foco Inabalável na Proteína: É o nutriente que constrói e preserva o músculo. Inclua uma fonte em todas as refeições e lanches: ovo (cozido, pochê, em purês), queijos, iogurte natural, frango desfiado em sopas, peixe assado (se tolerado), e suplementos proteicos indicados pelo nutricionista.
Terceiro Passo: O Papel Ativo da Família e do Cuidador
O apoio emocional é crucial, mas precisa vir acompanhado de ações concretas:
Monitore o Peso: Uma balança em casa é essencial. Perder mais de 5% do peso habitual em um mês é um sinal de ALERTA VERMELHO e deve ser comunicado à equipe.
Ofereça sem Obrigar: Substitua "você tem que comer" por "vamos experimentar isso diferente?". A pressão gera ansiedade e aversão.
Seja Criativo e Paciente: Apresente a comida de forma atraente, em recipientes menores e coloridos. O momento da refeição deve ser tranquilo.
Seja o Elo com a Equipe: Anote as dificuldades (o que rejeitou, o que causou náusea) e leve essas observações precisas para a consulta com o nutricionista ou enfermeiro.
Conclusão: A Nutrição é Tratamento
Combater a desnutrição no câncer é garantir que o corpo tenha os recursos para vencer. É um pilar do tratamento, tão importante quanto a medicação. Exija o acompanhamento especializado, implemente as estratégias práticas e transforme a alimentação em uma fonte de força. Na luta contra o câncer, cada nutriente conta e cada grama de músculo preservado é uma vitória.