Inspirado em modelo de sucesso de Minas Gerais, programa que leva saúde e cuidado a idosos vulneráveis em casa é incorporado ao plano federal e começa a ser replicado por prefeituras.
O Brasil atravessa uma transição demográfica acelerada. Em poucas décadas, o país deixou de ser majoritariamente jovem para se tornar uma nação que envelhece rapidamente. Nesse contexto, políticas públicas voltadas ao cuidado de idosos ganham centralidade — especialmente para aqueles em situação de fragilidade clínica e alta vulnerabilidade social.
Inspiradas no modelo pioneiro adotado por Belo Horizonte, diversas prefeituras brasileiras passaram a implementar programas de atendimento domiciliar a idosos, voltados tanto a pessoas em situação de dependência quanto àquelas sem dependência funcional, mas inseridas em contextos sociais críticos. A proposta é clara: levar o cuidado até onde o idoso está, evitando deslocamentos desnecessários, agravamento de quadros de saúde e internações evitáveis.
A iniciativa ganhou novo fôlego ao ser incorporada oficialmente ao plano nacional Brasil que Cuida, aprovado recentemente pelo Governo Federal. O programa estrutura uma política de cuidados de longo prazo, integrando saúde, assistência social e atenção básica.
No modelo adotado, equipes multiprofissionais realizam visitas periódicas às residências, avaliando condições clínicas, funcionais e sociais, além de orientar familiares e cuidadores. O foco não está apenas no tratamento de doenças, mas na promoção da autonomia possível, na prevenção de agravos e na dignidade do envelhecimento.
Especialistas apontam que a expansão do atendimento domiciliar representa um avanço estratégico do Sistema Único de Saúde, ao reconhecer que o envelhecimento exige respostas territoriais, contínuas e integradas. Em um país que se torna cada vez mais idoso, cuidar em casa deixou de ser alternativa — tornou-se necessidade.