Eles estão no chiclete, no sal gourmet e até na maçã. Pesquisas revelam as fontes surpreendentes de microplásticos na nossa dieta e mostram estratégias práticas para reduzir sua ingestão.
Microplásticos na Dieta: As 5 Fontes Mais Surpreendentes e Como se Proteger
Você sabia que, além de nutrientes, sua dieta diária pode conter uma dose invisível de plástico? Pesquisas recentes têm revelado um cenário preocupante: os microplásticos – partículas minúsculas de plástico menores que 5mm – já invadiram nossa cadeia alimentar de maneiras surpreendentes e silenciosas. Estudos indicam que podemos ingerir até 1,5 milhão dessas partículas por dia através da comida e da bebida. The Conversation fala sobre isso aqui.
Na TV Saúde, vamos além do alerta. Investigamos as fontes menos óbvias dessa contaminação e trazemos um guia prático para você reduzir sua exposição, sem pânico, mas com consciência.
O Doce Perigo: Chicletes São "Mastigáveis" de Plástico
Aqui vai um choque: mascar chiclete é, essencialmente, mastigar plástico. A base da goma é feita de polímeros sintéticos (plástico e borracha). A cada mastigada, milhões de microplásticos são liberados. Um único grama pode soltar mais de 600 partículas. A dica? Se não quiser abandonar o hábito, mastigue o mesmo chiclete por mais tempo, pois a maior liberação ocorre nos primeiros minutos. A melhor estratégia, claro, é buscar alternativas.
O Contaminante Sutil: Nem o Sal Está Livre
Aquele sal gourmet, rosa do Himalaia ou marinho, pode carregar um ingrediente indesejado. Estima-se que 94% dos sais comerciais no mundo estejam contaminados com microplásticos. Curiosamente, os sais terrestres podem estar mais contaminados que os marinhos. E atenção ao moedor: moedores de plástico descartáveis são verdadeiras fábricas de microplásticos, liberando milhares de partículas a cada uso.
A Surpresa na Feira: Maçãs e Cenouras no Topo da Lista
Pensou que só os alimentos embalados sofriam contaminação? Um estudo de 2020 apontou maçãs e cenouras como as frutas e legumes in natura mais contaminados por microplásticos. Eles entram pelas raízes das plantas (nanoplásticos) ou se depositam na superfície. Apesar disso, NÃO pare de consumi-los! Os benefícios dos antioxidantes e nutrientes desses alimentos ainda superam os riscos conhecidos. A solução está na lavagem cuidadosa e na origem do produto.
O Café da Manhã e o Chá da Tarde Sob Ameaça
Sua xícara matinal de café ou chá pode ser uma fonte significativa de microplásticos. O perigo não está apenas nos saquinhos de plástico (que liberam bilhões de partículas). Copos descartáveis para viagem, com revestimento interno plástico, são grandes vilões, especialmente com líquidos quentes. A solução? Prefira chá de folhas soltas em infusores de metal, café coado em coador de pano e use canecas reutilizáveis de vidro ou aço.
Campeão da Fama (Mas Não do Perigo): Frutos do Mar
Os frutos do mar, especialmente mariscos filtradores como mexilhões, recebem muita atenção da mídia. No entanto, os níveis de contaminação neles podem ser baixos comparados a outras fontes. A contaminação em uma xícara de chá de saquinho plástico pode ser exponencialmente maior. O foco aqui deve ser a moderação e a escolha de fornecedores com boas práticas ambientais.
PLANO DE AÇÃO: Como Reduzir Seu Consumo de Microplásticos Hoje
Armazenamento Inteligente: Troque os potes de plástico por vidro, especialmente para guardar alimentos e esquentá-los no micro-ondas.
Beba Água da Torneira (Filtrada): Quando a qualidade for boa, ela geralmente tem menos microplásticos que água engarrafada em plástico descartável.
Desconfie do "Superprocessado": Alimentos ultraprocessados têm mais etapas de produção e embalagem, aumentando o risco de contaminação.
Foco na Origem: Dê preferência a alimentos frescos, de produtores locais, e lave bem frutas e legumes.
Eliminar 100% dos microplásticos da dieta é um desafio global, mas pequenas mudanças no hábito fazem uma grande diferença na redução da exposição individual. Na TV Saúde, acreditamos que informação clara é o primeiro passo para uma vida mais saudável e consciente.