"Nova Pirâmide Alimentar dos EUA: Saúde ou Lobby? Por Que o Brasil Não Deve Seguir Este Exemplo"

Publicado por: Feed News
11/01/2026 18:18:29
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Enquanto a nova diretriz americana prioriza carne e laticínios, o prato brasileiro tradicional já representa um equilíbrio mais saudável e sustentável há gerações.
Enquanto a nova diretriz americana prioriza carne e laticínios, o prato brasileiro tradicional já representa um equilíbrio mais saudável e sustentável há gerações.

Especialistas acusam a guinada nutricional dos EUA de servir aos interesses da indústria pecuária e ignorar evidências científicas sobre dietas à base de plantas e sustentabilidade. Um alerta para não importarmos esse modelo.

 

Nova Pirâmide dos EUA: Um Retrocesso Disfarçado de Modernidade?

O governo dos Estados Unidos lançou suas novas diretrizes alimentares, enterrando o modelo "MyPlate" e inaugurando a "Nova Pirâmide". À primeira vista, uma atualização técnica. Mas, ao se analisar o conteúdo, surge um cenário preocupante: a eleição de proteínas (com forte leitura como carnes) e gorduras ao topo da hierarquia nutricional, com o aparente rebaixamento de grãos integrais. Para uma parcela significativa da comunidade científica internacional, isso não cheira a ciência de ponta, mas sim ao forte lobby da indústria de carne e laticínios americana.

 

A decisão, que teve sua publicação atrasada após a intervenção do Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., ignorou deliberadamente as conclusões de um comitê científico independente. Este comitê, formado no governo anterior, recomendava justamente o oposto: um foco maior em alimentos de origem vegetal. A alegação de que não há pesquisas suficientes sobre ultraprocessados soa como uma desculpa frágil para não regulamentar um setor poderoso, enquanto se dá carta branca a produtos animais cujo excesso é amplamente relacionado a doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

 

O Mitinho da "Proteína" e o Risco à Saúde Pública
Como bem apontou a professora Marion Nestlé, "proteína" nas novas regras é um eufemismo para carne. O aumento dramático da recomendação diária – de 0,8g para até 1,6g por quilo – não tem respaldo em consensos internacionais para a população em geral. Instituições de saúde globais sempre enfatizaram o equilíbrio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e relatórios como o EAT-Lancet defendem a redução do consumo de carne vermelha e processada em prol da saúde humana e do planeta.

 

A nova pirâmide americana parece criar um problema para vender sua solução. Ao promover o medo infundado de uma "deficiência proteica" na população geral, que não existe em dietas regulares, abre-se o mercado para o consumo exacerbado. Isso é temerário. O excesso de proteína animal, especialmente de carnes vermelhas e processadas, e de gorduras saturadas (cujo limite, embora mantido, fica mais difícil de cumprir com a nova recomendação) é um fator de risco conhecido.

 

Sustentabilidade? Esqueça.
Enquanto o mundo discute a urgência climática e o impacto ambiental da pecuária – uma das maiores fontes de emissões de gases de efeito estufa e desmatamento –, as diretrizes dos EUA viram as costas para a sustentabilidade. Promover mais consumo de produtos de origem animal é um tiro no pé do Acordo de Paris e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. É um modelo que o Brasil, guardião da Amazônia e com uma dieta tradicional rica em vegetais, não pode e não deve importar.

 

Nosso padrão alimentar, baseado no arroz com feijão, hortaliças, frutas e carnes em moderação, já é celebrado internacionalmente por seu equilíbrio e diversidade. Por que trocaríamos isso por um modelo que prioriza o bife e o queijo, associado a maiores custos com saúde e degradação ambiental?

 

Conclusão: Um Mau Exemplo a Não Ser Seguido
A "Nova Pirâmide" americana é menos sobre nutrição e mais sobre política e interesses econômicos de setores poderosos. Ela despreza evidências robustas em favor de uma narrativa que pode agravar doenças crônicas e a crise ecológica.

 

Para os leitores da TV Saúde, a mensagem é clara: desconfie de modismos nutricionais radicais que vêm de fora. A recomendação segura continua sendo a de nosso Guia Alimentar para a População Brasileira: priorize alimentos in natura e minimamente processados, de origem predominantemente vegetal, e seja crítico com quem tenta vender a ideia de que saúde vem apenas do prato cheio de proteína animal. A saúde do nosso povo e do nosso planeta agradece.

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