A jornada de um paciente revela que terapias inovadoras, como as células T CAR, só existem graças a decisões políticas de investimento feitas décadas atrás.
O que estamos decidindo hoje para os pacientes de amanhã?
O relato do paciente Maurice sobre sua batalha contra o Mieloma Múltiplo vai além dos sintomas e tratamentos. É uma aula sobre a importância do financiamento público em saúde. Ele atribui sua chance de vida a uma decisão política dos anos 2000 nos EUA: o compromisso com um "financiamento federal agressivo" para pesquisa com células-tronco. Esse investimento gerou os transplantes autólogos e a revolucionária terapia com células T CAR que ele recebeu.
No Brasil, essa discussão é urgente. O Mieloma Múltiplo, assim como outras doenças hematológicas, depende de pesquisa contínua para evoluir dos primeiros quimioterápicos para as terapias-alvo e imunoterapias. O acesso a essas inovações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está diretamente ligado à nossa capacidade de fomentar ciência nacional e incorporar tecnologias com agilidade.
"É necessário dinheiro para pesquisa para conseguir se manter à frente de uma doença", alerta Maurice. Seu temor sobre cortes orçamentários ecoa no cenário brasileiro. Reduzir investimentos em agências de fomento é comprometer o futuro do tratamento oncológico no país. Pacientes como Maurice mostram que a pesquisa translacional – que leva a descoberta do laboratório para o leito do hospital – salva vidas de verdade.
A mensagem para os gestores, formuladores de políticas e para a sociedade é clara: defender o orçamento para ciência e saúde não é um gasto, é um investimento em soberania e em vidas. A história de Maurice, embora ocorrida nos EUA, espelha a realidade que queremos construir aqui: onde a próxima inovação contra o Mieloma Múltiplo possa ser desenvolvida e acessada por todos.