FRAX: o cálculo que prevê fraturas antes que elas aconteçam

Publicado por: Feed News
20/01/2026 20:00:00
Exibições: 18
Ferramentas modernas permitem calcular o risco real de fraturas antes que elas ocorram.
Ferramentas modernas permitem calcular o risco real de fraturas antes que elas ocorram.

Mais importante do que saber a densidade do osso é descobrir quem realmente corre risco de fraturar — e como a medicina já consegue antecipar esse futuro.

 

FRAX: quando a medicina começa a prever o futuro dos ossos

Durante décadas, a densitometria óssea foi considerada a principal ferramenta para avaliar a saúde óssea. O T-score passou a dividir os pacientes em categorias rígidas: normal, osteopenia e osteoporose.

 

Mas a prática clínica mostrou algo inquietante:
a maioria das fraturas não ocorre em pacientes com osteoporose, mas em pessoas com osteopenia.

Foi para responder a esse paradoxo que surgiu uma das ferramentas mais sofisticadas da medicina preventiva moderna: o FRAX.

 

O que é o FRAX?

O FRAX (Fracture Risk Assessment Tool) é um algoritmo desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde que estima o risco absoluto de fraturas nos próximos 10 anos.

Diferentemente da densitometria isolada, o FRAX não avalia apenas o osso. Ele analisa o paciente como um todo.

Entre os principais fatores considerados estão:

Idade

Sexo

Peso e altura

Histórico de fratura prévia

Fratura de quadril nos pais

Tabagismo

Uso prolongado de corticoides

Artrite reumatoide

Consumo excessivo de álcool

Densidade óssea do colo do fêmur (quando disponível)

O resultado final é um número claro:
probabilidade percentual de fratura nos próximos 10 anos
– para fratura maior (coluna, quadril, punho ou ombro)
– e especificamente para fratura de quadril.

 

Por que o FRAX mudou a forma de tratar osteopenia?

Antes do FRAX, o tratamento era decidido quase exclusivamente pelo T-score.
Hoje, a pergunta mudou:

“Qual é o risco real de esse paciente fraturar?”

Dois pacientes com o mesmo T-score podem ter riscos completamente diferentes.

Um adulto jovem com osteopenia leve pode ter risco mínimo.
Um idoso de 75 anos com o mesmo T-score pode ter risco elevado de fratura grave.

É nesse ponto que o FRAX se torna decisivo: ele personaliza o risco.

 

Osteopenia não é sinônimo de baixo risco

Um dos maiores equívocos em saúde óssea é acreditar que apenas a osteoporose fratura.

Na prática:

A osteopenia é muito mais frequente

A maioria dos idosos está nessa faixa intermediária

O número absoluto de fraturas em osteopenia é maior

Quando associada a:

Idade avançada

Comprometimento do fêmur

Histórico de quedas

Perda muscular

a osteopenia passa a ser clinicamente perigosa.

E é exatamente esse grupo que o FRAX identifica.

 

Quando o FRAX indica tratamento, mesmo sem osteoporose?

Diretrizes internacionais recomendam iniciar tratamento farmacológico quando:

Risco de fratura maior ≥ 20% em 10 anos
ou

Risco de fratura de quadril ≥ 3% em 10 anos

Mesmo que o paciente tenha apenas osteopenia.

Essa mudança de paradigma é profunda:
Hoje se trata risco, não apenas densidade.

 

O papel central do fêmur: onde o futuro se decide

Entre todos os sítios avaliados, o colo do fêmur é o mais importante prognosticamente.

Por três motivos:

Prediz melhor fraturas graves

Está diretamente ligado à fratura de quadril

Entra como variável-chave no FRAX

Em idosos, valores próximos de −2,5 no fêmur, mesmo ainda classificados como osteopenia, frequentemente já representam alto risco clínico.

É nesse ponto que muitos tratamentos começam antes da osteoporose formal.

 

Fratura de quadril: o evento que o FRAX tenta evitar

A fratura de quadril é considerada um dos eventos mais devastadores da geriatria:

Alta mortalidade no primeiro ano

Perda definitiva de autonomia em grande parte dos pacientes

Risco elevado de institucionalização

Prever esse evento antes que aconteça é um dos maiores avanços da medicina preventiva do envelhecimento.

E hoje isso é possível.

 

O futuro da saúde óssea: prevenção personalizada

O FRAX representa uma mudança silenciosa, porém revolucionária:

Sai o modelo rígido baseado apenas em T-score

Entra o modelo de risco individualizado

Tratamentos passam a ser mais precisos

Fraturas potencialmente evitáveis deixam de acontecer

Não se trata mais apenas de medir ossos.
Trata-se de proteger vidas, autonomia e independência.

 

Conclusão

O FRAX transformou a osteopenia de um achado passivo em um instrumento ativo de prevenção.

Hoje, a medicina não espera o osso quebrar para agir.
Ela calcula, antecipa e intervém.

Em tempos de envelhecimento acelerado da população, essa capacidade de prever fraturas pode ser tão valiosa quanto preveni-las.

Vídeos da notícia

Imagens da notícia

Tags: