Estudo francês que acompanhou mais de 100 mil pessoas por 14 anos traz evidências fortes sobre o perigo de aditivos como nitritos e sorbatos.
Especialistas veem dados como um passo para mudar a regulamentação da indústria.
Conservantes Alimentares e Câncer: Novo Estudo Francês Acende Sinal de Alerta para Hábitos no Brasil
Uma das maiores e mais longas pesquisas do mundo sobre nutrição e saúde acaba de revelar dados alarmantes que devem fazer você olhar com mais atenção para a lista de ingredientes no supermercado. Cientistas franceses do projeto NutriNet-Santé descobriram uma ligação significativa entre o consumo de certos conservantes alimentares – comuns em produtos industrializados – e um aumento do risco de desenvolver câncer.
O estudo, uma referência metodológica na área, acompanhou rigorosamente mais de 105 mil adultos por quase 14 anos (de 2009 a 2023). Os participantes registraram sua alimentação em detalhes, permitindo aos pesquisadores cruzar, com precisão inédita, o consumo de aditivos com o aparecimento de doenças. A análise estatística, que controlou fatores como idade e sexo, apontou para conservantes específicos como os maiores vilões.
Os Conservantes em Foco: Nitritos e Sorbatos no Banco dos Réus
Os resultados, publicados em revista de alto impacto, são claros: uma maior ingestão total de conservantes não antioxidantes está correlacionada com maior incidência de câncer em geral e, especificamente, de câncer de mama. Entre os aditivos identificados com associações preocupantes estão:
Sorbatos (como o sorbato de potássio), usados em queijos, geleias e vinhos.
Nitrito de sódio, famoso pelo seu uso em carnes processadas como presunto, salsicha e bacon, foi associado a um risco maior de câncer de próstata.
Sulfitos, acetatos e o eritorbato de sódio também apareceram na lista.
É crucial ressaltar que a pesquisa fala em correlação estatística, não em causa direta e isolada. "Não é que um único alimento com nitrito vá causar câncer", explica um nutricionista consultado pela TV Saúde. "O problema é o efeito cumulativo e regular desse e de outros conservantes em uma dieta predominantemente ultraprocessada, somado a outros fatores de risco."
Nem Tudo São Más Notícias: O Caminho da Prevenção
A pesquisa também trouxe um respiro: dos 17 conservantes estudados, 11 não mostraram vínculo estatístico com a doença, indicando que o risco está atrelado a substâncias específicas, e não a todos os aditivos.
Para especialistas em saúde pública, a força do estudo – pelo seu tamanho e duração – é um argumento sólido para que agências reguladoras revisem as permissões de uso desses conservantes. Enquanto mudanças legislativas não vem, a recomendação médica e nutricional se fortalece.
O Conselho Prático que Você Pode Adotar Hoje
A principal mensagem para o público brasileiro, campeão no consumo de alimentos ultraprocessados, é de empoderamento através da escolha alimentar.
Priorize: Alimentos in natura (frutas, legumes, verduras, carnes frescas) e minimamente processados (grãos, farinhas, leite pasteurizado).
Leia rótulos: Fique atento à presença de nitrito de sódio, sorbato de potássio e sulfitos na lista de ingredientes.
Cozinhe mais: Preparar suas refeições em casa é a forma mais garantida de controlar o que você consome.
A prevenção do câncer passa por múltiplas frentes, e a alimentação é uma das mais poderosas. Este estudo francês reforça que reduzir a dependência de industrializados não é só uma moda, mas uma atitude necessária para uma saúde de longo prazo.