Uma árvore no lugar do psicólogo: nova tendência na China conquista os jovens

Publicado por: Feed News
27/01/2026 09:00:00
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Jovens têm recorrido à terapia florestal como alternativa emocional em meio à vida urbana intensa.
Jovens têm recorrido à terapia florestal como alternativa emocional em meio à vida urbana intensa.

Moradores de Pequim estão “adotando” árvores urbanas como forma de apoio emocional e alívio do estresse pós-pandemia.

 

Em Pequim, um movimento incomum vem ganhando força entre os jovens: a terapia florestal, prática na qual abraçar árvores se tornou uma ferramenta de autocuidado emocional. Em parques e praças da capital chinesa, é cada vez mais comum ver pessoas encostadas em troncos, ouvindo o som da casca ou criando um ritual de aproximação antes do contato físico.

 

A tendência cresceu rapidamente após a pandemia. O isolamento prolongado, a hiperconectividade digital e a pressão social levaram muitos moradores a buscar novas formas de aliviar o estresse e recuperar o equilíbrio mental. Para parte dessa geração, abraçar uma árvore tornou-se uma alternativa simbólica à intimidade humana — escassa em uma das metrópoles mais densas do mundo.

 

Xiaoyang Wong, fundador de uma comunidade de terapia florestal em Pequim, explica que o processo começa com a observação cuidadosa do ambiente natural. Segundo ele, prestar atenção aos insetos na casca e se aproximar gradualmente da árvore ajuda a reduzir o constrangimento inicial e favorece a reconexão com o mundo físico.

 

Pesquisas e relatos indicam que mulheres jovens são maioria entre os praticantes. Na China contemporânea, muitas estão se afastando dos modelos tradicionais de casamento, optando por permanecer solteiras ou buscar formas alternativas de apoio emocional fora das relações convencionais.

 

Os participantes frequentemente escolhem uma árvore específica, dão nomes a ela e criam gestos próprios que refletem a “personalidade” da planta. Não é raro encontrar pessoas abraçando árvores até tarde da noite, em busca de tranquilidade após longas jornadas de trabalho.

 

Em contraste com as narrativas mais comuns sobre poluição e superlotação em Pequim, essa tendência revela outro lado da cidade: um espaço onde indivíduos tentam resgatar emoções, silêncio e autenticidade em meio ao concreto. Para participantes como Florian Mo, de 28 anos, a terapia florestal se tornou um ambiente seguro para falar sobre solidão, pressão social e saúde mental — sem medo de julgamento.

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