Como continuar quando tudo parece incerto: a força de viver o agora

Publicado por: Feed News
26/01/2026 20:00:00
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Em tempos de incerteza, pequenos momentos de presença podem se tornar grandes âncoras emocionais.
Em tempos de incerteza, pequenos momentos de presença podem se tornar grandes âncoras emocionais.

Em um mundo instável, psicólogo explica por que aceitar a realidade, agir no presente e valorizar o cotidiano são atitudes essenciais para preservar a saúde emocional.

 

Quando o mundo deixa de parecer previsível e o futuro se torna nebuloso, muitas pessoas passam a viver em estado constante de alerta. Planos de longo prazo perdem sentido, a sensação de segurança diminui e surge uma pergunta silenciosa, porém persistente: como continuar sem se perder emocionalmente?

 

Segundo especialistas em psicologia, o esgotamento emocional tão comum hoje não é causado apenas pelas crises externas, mas pelo conflito entre expectativa e realidade. Durante muito tempo, acreditou-se que a situação “logo iria melhorar”. Quando isso não acontece, os recursos internos se esgotam. Aprender a viver de forma mais realista — sem ilusões, mas também sem desespero — tornou-se uma habilidade essencial.

 

O que realmente nos sustenta em tempos difíceis

Ao contrário do que se imagina, não é uma força de vontade abstrata que mantém as pessoas de pé. São elementos concretos e cotidianos: vínculos familiares, relações próximas, rituais simples, momentos de silêncio, atividades com significado e a consciência de que ainda é possível ajudar alguém.

 

Caminhadas, exercícios leves, contato com o corpo e hábitos que faziam parte da vida antes das crises funcionam como âncoras emocionais. Eles devolvem a sensação de estabilidade e ajudam o indivíduo a se reconectar com o presente.

 

A perda dos planos e o valor de um dia

Uma das mudanças mais profundas do nosso tempo é a dificuldade de planejar o futuro. O amanhã é incerto, e isso altera completamente a hierarquia das necessidades. Alimentação adequada, água, luz, descanso e segurança básica, antes vistos como garantidos, tornaram-se prioridades centrais.

 

Nos consultórios psicológicos, a queixa mais frequente é a exaustão. Muitas pessoas resistiram acreditando que bastava aguentar mais um pouco. Mas a realidade mostrou que viver apenas de expectativa leva ao colapso emocional. Sobrevive melhor quem aprende a concentrar energia no dia de hoje, fazendo o possível e reconhecendo seus próprios limites.

 

A ação como antídoto para a ansiedade

Não poder influenciar o cenário global não significa impotência. Adaptar-se à realidade, tornar a própria vida um pouco mais confortável e realizar pequenas ações diárias são formas eficazes de reduzir a ansiedade.

 

Atos simples — como preparar um café, ler algumas páginas de um livro, observar o céu ou organizar um espaço da casa — ajudam a mente a sair do excesso de preocupações e retornar ao estado de presença. A ação, mesmo pequena, devolve a sensação de controle.

 

Presente, limites e recursos emocionais

O passado não pode ser mudado e o futuro ainda não existe. O único espaço real de transformação é o momento presente. É nele que se pode agradecer, respirar conscientemente, demonstrar afeto ou cuidar de si.

 

Também é fundamental proteger os próprios recursos emocionais. Escolher melhor as companhias, manter por perto pessoas com valores semelhantes e estabelecer limites claros evita um desgaste ainda maior. O humor, inclusive o humor ácido, surge como ferramenta legítima de sobrevivência, ajudando a aliviar a tensão e recuperar equilíbrio emocional.

 

Vivemos tempos que nos transformaram profundamente. Mas, junto com a perda das certezas, desenvolvemos uma habilidade essencial: viver o agora. Valorizar um dia comum, uma conversa sincera e uma pequena ação pode ser o maior gesto de resistência e cuidado com a saúde mental.

 

A vida não está adiada para depois. Ela está acontecendo agora.

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