Novo estudo associa consumo diário a risco quadruplicado. Mas a verdadeira vilã pode ser uma condição muito comum no Brasil.
Você troca o refrigerante comum pelo diet ou zero, acreditando ser uma escolha mais saudável. Mas e se essa decisão, especialmente se você já luta com o peso ou o açúcar no sangue, estiver associada a um risco até quatro vezes maior de desenvolver demência no futuro?
Um estudo internacional, o Northern Manhattan Study, acendeu um sinal de alerta que ressoa diretamente no Brasil, país campeão no consumo de refrigerantes. A pesquisa acompanhou quase mil adultos por anos e descobriu que aqueles que consumiam mais de uma lata de refrigerante diet por dia tinham um risco drasticamente maior de serem diagnosticados com demência, incluindo a Doença de Alzheimer.
A Chave da Questão Está no Metabolismo Brasileiro
O dado mais surpreendente e crucial para nós veio a seguir: quando os pesquisadores retiraram da análise os participantes que já tinham obesidade ou diabetes, a associação forte entre o refrigerante diet e a demência simplesmente desapareceu.
O que isso significa? Os cientistas levantam a hipótese da "causalidade reversa". Em outras palavras: não é necessariamente o refrigerante diet que causa demência. Pode ser que pessoas que já percebem riscos à saúde (como sobrepeso, pré-diabetes ou diabetes diagnosticada) sejam justamente as que mais migram para os refrigerantes "zero" na tentativa de fazer uma escolha melhor. São os problemas metabólicos pré-existentes, tão comuns no Brasil, que carregam o risco elevado para o cérebro.
Um Recado Claro para a Saúde Pública no Brasil
"Os resultados não provam causa e efeito, mas acrescentam evidências de que o refrigerante dietético não é uma ferramenta de redução de riscos cardiometabólicos", afirma a pesquisadora Hannah Gardener. Para o brasileiro, o recado é duplo:
Trocar o refrigerante comum pelo diet não é um "salvo-conduto" para a saúde. O foco deve estar na redução global do consumo de bebidas ultraprocessadas.
Cuidar do peso e do metabolismo (prevenindo ou controlando rigorosamente o diabetes e a síndrome metabólica) é uma das estratégias mais poderosas para proteger o cérebro no envelhecimento.
A ciência ainda debate o tema, mas a prudência é a melhor aliada. Hidratar-se com água, chás naturais e priorizar alimentos in natura continua sendo o caminho mais seguro e comprovado para um corpo e um cérebro saudáveis por toda a vida.