Novo estudo revela que o excesso de peso pode aumentar em até 70% o risco de hospitalização e morte por doenças infecciosas — um alerta urgente para a saúde pública.
Durante muitos anos, a obesidade foi associada principalmente a problemas como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas. No entanto, novas pesquisas revelam que o excesso de peso vai muito além dessas consequências conhecidas: ele também enfraquece o sistema imunológico e aumenta drasticamente o risco de infecções graves.
Um estudo recente publicado na revista científica The Lancet, uma das mais respeitadas do mundo, trouxe dados alarmantes. Segundo os pesquisadores, pessoas com obesidade apresentam cerca de 70% mais chances de serem hospitalizadas ou morrerem por doenças infecciosas, como pneumonia, influenza, gastroenterite e COVID-19.
Os resultados acendem um sinal de alerta para governos, profissionais da saúde e para a população em geral.
Os cientistas analisaram dados de mais de 537 mil adultos do Reino Unido e da Finlândia, acompanhados por até 14 anos. Ao longo desse período, foram observadas internações, causas de morte e histórico de saúde dos participantes.
Entre as principais conclusões, destacam-se:
Pessoas com IMC acima de 30 apresentaram risco significativamente maior de complicações infecciosas;
Quanto maior o peso corporal, maior o risco;
Indivíduos com obesidade severa chegaram a apresentar quase três vezes mais chances de desfechos graves;
Cerca de 11% das mortes por infecção no mundo podem estar relacionadas ao excesso de peso.
Em números absolutos, isso representa aproximadamente 600 mil mortes por ano.
O corpo humano funciona como um sistema integrado. Quando há excesso de gordura corporal, diversos processos internos são afetados.
Entre os principais impactos da obesidade sobre a imunidade, estão:
A gordura em excesso provoca um estado constante de inflamação no organismo. Essa inflamação silenciosa enfraquece as células de defesa, tornando-as menos eficientes.
O tecido adiposo interfere na produção de hormônios que regulam o sistema imunológico, prejudicando sua resposta contra vírus e bactérias.
Pulmões, coração e rins trabalham com maior esforço em pessoas obesas. Durante uma infecção, essa sobrecarga aumenta o risco de falência orgânica.
Estudos mostram que pessoas com obesidade podem responder pior a vacinas e medicamentos, dificultando a recuperação.
Durante a COVID-19, o mundo testemunhou de forma clara esse fenômeno. Pessoas com obesidade foram desproporcionalmente afetadas, apresentando mais internações em UTI, necessidade de ventilação mecânica e maior mortalidade.
A pandemia não criou esse risco — ela apenas o tornou visível.
Agora, a ciência confirma: o mesmo padrão se repete em diversas outras infecções.
O impacto da obesidade nas mortes por infecção varia entre nações:
Estados Unidos: até 1 em cada 4 mortes associadas ao excesso de peso;
Reino Unido: cerca de 1 em cada 6;
Vietnã: apenas 1,2%.
Essas diferenças refletem fatores como acesso à saúde, alimentação, políticas públicas e hábitos de vida.
Uma das descobertas mais promissoras é que a redução de peso pode reverter parte desses riscos.
Ensaios clínicos com medicamentos da classe GLP-1, além de mudanças no estilo de vida, indicam que:
A perda de peso melhora a função imunológica;
Reduz inflamações;
Diminui internações;
Aumenta a resistência a infecções.
Ou seja, emagrecer não é apenas uma questão estética — é uma estratégia de sobrevivência.
A boa notícia é que pequenas mudanças já fazem diferença.
Especialistas recomendam:
✅ Alimentação equilibrada
✅ Redução de ultraprocessados
✅ Prática regular de atividade física
✅ Acompanhamento médico
✅ Controle do estresse
✅ Sono de qualidade
✅ Atualização vacinal
Cuidar do peso é cuidar da imunidade.
No Brasil, mais de 60% da população adulta está acima do peso. Isso transforma a obesidade em uma questão estratégica para o SUS e para a prevenção de epidemias futuras.
Investir em educação alimentar, prevenção e acesso ao tratamento não é gasto — é proteção coletiva.
A obesidade não é apenas um fator de risco distante. Ela atua diariamente, silenciosamente, fragilizando as defesas do organismo.
O estudo do The Lancet deixa claro: combater o excesso de peso é também combater infecções, hospitalizações e mortes evitáveis.
Cuidar do corpo hoje é garantir mais vida amanhã.