Pesquisas revelam que homens em relacionamentos com outros homens desenvolvem ferramentas afetivas poderosas que podem ensinar muito sobre parceria duradoura
Você provavelmente já ouviu alguém dizer que "homem não presta" ou que "relacionamento gay não dura". Pois saiba que a ciência acaba de derrubar esses mitos com dados concretos: casais formados por dois homens estão entre os mais estáveis e duradouros quando o assunto é relacionamento amoroso.
Pesquisas recentes conduzidas na Finlândia (2025) e nos Estados Unidos revelam um cenário surpreendente: enquanto casais lésbicos apresentam as maiores taxas de separação, os casais gays masculinos demonstram uma capacidade notável de manter seus relacionamentos a longo prazo. E o mais interessante: eles desenvolveram estratégias que qualquer casal pode adotar.
Um estudo do Williams Institute (UCLA) acompanhou 500 casais durante 12 anos e constatou que relacionamentos entre homens têm mais chances de perdurar quando comparados aos casais femininos. Os números são expressivos: casamentos lésbicos têm mais que o dobro de probabilidade de terminar em comparação aos gays masculinos.
Outra pesquisa, publicada no Journal of GLBT Family Studies (2020), identificou que homens em relacionamentos com outros homens relatam níveis superiores de:
Qualidade relacional
Compatibilidade
Intimidade
Comunicação efetiva
Homens tendem a ser mais seletivos com os conflitos. Em vez de transformarem cada desentendimento numa crise, eles desenvolvem uma habilidade valiosa: identificam o que realmente merece briga e o que pode esperar um momento mais adequado para ser resolvido.
Isso não significa fugir dos problemas, mas sim escolher o melhor momento para enfrentá-los. Uma estratégia simples que evita o desgaste diário e permite que ambos os lados estejam mais preparados para o diálogo verdadeiro.
Diferente dos casais heterossexuais, que muitas vezes seguem roteiros pré-estabelecidos pela sociedade (homem provedor, mulher cuidadora), os casais gays precisam construir seus próprios modelos de convivência desde o início.
Essa liberdade permite:
Divisão igualitária das tarefas domésticas
Negociação aberta sobre expectativas
Flexibilidade para morar em cidades diferentes se necessário
Criatividade para construir arranjos familiares que funcionem para ambos
A rigidez em torno da monogamia sexual costuma ser um dos maiores estressores em qualquer relacionamento. Casais masculinos, estatisticamente, lidam com esse tema de forma mais aberta e menos dramática.
Eles conversam sobre desejos, sobre pornografia, sobre atração por outras pessoas sem que isso represente automaticamente uma ameaça à relação. Essa transparência reduz a culpa e permite que o casal construa acordos honestos sobre os limites do relacionamento.
Enquanto existe o estereótipo da lésbica que já está morando junto no segundo encontro (sim, existe fundo de verdade nisso), os homens costumam ser mais cautelosos com o compromisso formal.
Essa lentidão estratégica permite que o casal se conheça profundamente antes de tomar decisões que impactam toda a vida. Eles estabelecem limites pessoais claros e descobrem se realmente são compatíveis antes de dividir o mesmo teto e a mesma conta bancária.
A comunidade gay historicamente desenvolveu fortes laços de apoio mútuo. Essa rede funciona como um colchão emocional que amortece as dificuldades naturais de qualquer relacionamento.
Amigos que entendem as particularidades da vivência gay, espaços onde o casal pode circular livremente sem julgamentos, referências positivas de outros casais — tudo isso contribui para a estabilidade.
Se você está em um relacionamento — seja ele heterossexual, lésbico ou qualquer outra configuração — existem lições valiosas extraídas dessas pesquisas:
Comunique-se com honestidade, mas entenda que timing é tudo. Algumas conversas podem esperar o momento certo.
Crie seu próprio modelo de relacionamento. Não existe fórmula pronta para o sucesso amoroso. O que funciona para seus pais ou para o casal de amigos pode não ser adequado para vocês.
Dê tempo ao tempo. Apressar decisões importantes como morar junto, casar ou ter filhos pode comprometer a solidez da relação.
Construa uma rede de apoio. Isolamento é inimigo de relacionamentos duradouros. Cultive amizades, mantenha vínculos familiares saudáveis, participe de comunidades.
Negocie os termos da exclusividade. Seja qual for o acordo de vocês, o importante é que ele seja claro, honesto e respeitado por ambos.
Como terapeuta de casal e pessoa casada com um homem, confesso que os dados me surpreenderam. Vivemos numa sociedade que frequentemente desqualifica a capacidade afetiva dos homens, tratando-os como seres emocionalmente limitados.
Os estudos mostram justamente o contrário: quando dois homens se unem afetivamente, desenvolvem ferramentas poderosas de convivência que poderiam beneficiar qualquer casal. Eles nos ensinam que relacionamentos não precisam seguir roteiros prontos, que a comunicação pode ser menos dramática e mais efetiva, e que a longevidade amorosa está diretamente ligada à flexibilidade e à honestidade.
É importante destacar que nenhum tipo de relação é superior a outro. Casais heterossexuais, lésbicos, gays, bissexuais ou transgênero enfrentam desafios específicos e desenvolvem soluções criativas para manterse unidos.
O ponto aqui não é criar rankings, mas sim reconhecer que todos podemos aprender com as experiências alheias. Os relacionamentos masculinos estão funcionando melhor do que imaginávamos, e isso merece ser celebrado e estudado.
A ciência finalmente está prestando atenção nessas dinâmicas, e os resultados desafiam preconceitos enraizados. Talvez seja hora de abandonarmos velhos clichês sobre "medo de compromisso" masculino e olharmos com mais atenção para o que realmente está acontecendo na vida afetiva dos homens.
E você, o que acha que poderia aprender com essa forma diferente de se relacionar?