Entre a euforia coletiva e o abandono dos limites, milhões de brasileiros se expõem anualmente a riscos evitáveis durante a maior festa popular do país.
Por Ronny Santos - EDITORIA DE SAÚDE PÚBLICA - TV SAÚDE
Há quem diga que "quem não chora, não mama". No Carnaval, a máxima poderia ser adaptada para: "quem não se previne, não volta inteiro". E não se trata de ser "desmancha prazer", mas de encarar um fato que a epidemiologia confirma todos os anos: o Brasil para no Carnaval, mas os prontos-socorros entram em sobrecarga.
A TV Saúde, comprometida com a informação que salva vidas, traz um diagnóstico frio, realista e necessário sobre o que acontece com o corpo e a saúde de quem mergulha na folia. Não para tirar a graça da festa, mas para que ela não termine em lágrimas – suas ou de quem ama você.
Vamos começar pelo dado mais cruel: muitas pessoas realmente não voltarão para casa. O Carnaval é um dos períodos mais letais no trânsito brasileiro. A combinação de estradas lotadas, fiscalização nem sempre suficiente e a sensação de "liberdade total" cria um coquetel explosivo.
Segundo dados históricos do Ministério da Saúde, o número de internações e mortes por acidentes de trânsito dispara nessa época. Não é "azar". É a física: um veículo de uma tonelada guiado por um reflexo comprometido pelo álcool. Se você bebeu, não dirige. Se vai dirigir, não beba uma gota. A responsabilidade é individual, mas a conta, muitas vezes, é paga por uma famíla inteira.
O álcool também é um catalisador de conflitos. Discussões banais em blocos, esbarrões, "olhares atravessados" podem terminar em brigas generalizadas, facadas ou disparos. A violência sexual, infelizmente, também tem seus números ampliados. A falsa ideia de que o corpo da mulher na folia é "público" é uma chaga social que precisa ser combatida com informação e respeito. O "não" continua sendo "não", independentemente da fantasia.
Você já ouviu falar da famosa "virose do Carnaval"? Na maioria das vezes, não é um vírus misterioso, mas sim uma Doença Diarreica Aguda (DDA) causada por água e alimentos contaminados.
Com o calor extremo e a aglomeração, a desidratação chega rápido. A solução? Beber água. O problema? Muitos recorrem a copos d'água de procedência duvidosa, gelo de qualidade desconhecida ou aqueles salgadinhos e churrasquinhos que passaram horas no sol. O resultado são dias de UTI, soro na veia e o Carnaval perdido no banheiro de um hospital.
Este talvez seja o capítulo mais silencioso. O Carnaval potencializa encontros. É natural. O que não é natural é achar que "no calor do momento" dá para "esquecer" a camisinha.
O risco de contrair uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) aumenta exponencialmente. Sífilis, gonorreia, HPV e HIV não tiram férias. Beijar na boca dezenas de pessoas também tem seus riscos, como a transmissão de mononucleose (doença do beijo) e outras infecções virais.
E não é só isso. A gravidez não planejada é uma realidade que bate à porta nove meses depois da festa. O "esquecimento" pode mudar uma vida para sempre.
Se o Carnaval fosse um paciente, seu diagnóstico seria de "vulnerabilidade aguda multifatorial". Mas a boa notícia é que a prevenção é simples e está ao alcance de todos.
A TV Saúde não quer que você deixe de pular, cantar e se divertir. Queremos apenas que você volte para contar a história. Por isso, nosso apelo é direto:
Planejamento é tudo: Combine com seu grupo quem será o motorista da vez (que não bebe) ou use transporte por aplicativo. Se for para o interior, tenha um local seguro para dormir.
Hidratação inteligente: Beba muita água de garrafa lacrada. Cuidado com gelo e alimentos de procedência duvidosa. Prefira lanches industrializados e frutas que você mesmo possa descascar.
Preservativo sempre: Não é opcional. Leve camisinha no bolso, na pochete, onde couber. Não dependa do "calor do momento" para lembrar. E lembre-se: ele protege contra ISTs e gravidez.
Respeito é a base: Respeite o espaço do outro. Não é não. Violência não é brincadeira.
A alegria do Carnaval é imensa. Não deixe que ela se transforme em uma lembrança triste ou em uma cicatriz. Cuide-se para cuidar de quem está ao seu lado.
A TV Saúde deseja um Carnaval de vida, saúde e consciência. Porque a melhor fantasia é a que você tira no final da festa, e não a que te leva para uma maca.