Bilhões de pessoas no mundo vivem com herpes, mas a desinformação ainda é a maior epidemia. Separamos os fatos das fake news para você se cuidar sem tabus.
Você sabia que mais de 3,8 bilhões de pessoas no mundo têm o vírus do herpes simples tipo 1? Pois é, provavelmente você conhece alguém que tem — ou talvez você mesmo tenha e nem saiba.
Apesar de ser uma das infecções mais comuns do planeta, o herpes ainda vive no armário dos preconceitos e da desinformação. Muita gente acha que é "frescura", que só pega quem é "promíscuo" ou que aparece só quando a pessoa está nervosa.
A verdade? O herpes não escolhe idade, gênero ou classe social. Ele simplesmente... existe. E quanto mais você souber sobre ele, menos medo — e menos julgamento — vai pairar sobre o assunto.
Preparamos uma lista com 10 mitos e verdades que vão te surpreender. Preparado para ter sua mente desbloqueada?
MITO! E dos grandes!
O herpes não tem absolutamente NADA a ver com falta de higiene. Ele é causado por um vírus (HSV-1 ou HSV-2) que é transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosas de uma pessoa infectada.
Você pode tomar três banhos por dia, usar enxaguante bucal e álcool em gel até nos cotovelos que, se teve contato com o vírus, ele pode se manifestar. A higiene impecável não impede a ativação viral — quem dera fosse tão simples!
MITO... OU MELHOR, DEPENDE.
Muitas pessoas sentem os famosos "pródromos" — aqueles sinais de que algo vem por aí: formigamento, coceira ou ardência no local onde as bolhas costumam aparecer. É como se o corpo mandasse um aviso: "ó, prepara que lá vem crise".
Mas tem gente que é pega de surpresa. As bolhas simplesmente aparecem sem aviso prévio. E tem ainda aquelas pessoas sortudas (ou nem tanto) que têm o vírus mas nunca tiveram sintoma algum na vida. O vírus está lá, quietinho, só esperando uma oportunidade.
MITO PERIGOSO!
Essa é uma das maiores fontes de transmissão do vírus. Embora o risco seja maior durante as crises ativas (com bolhas e feridas), o herpes pode ser transmitido mesmo quando a pessoa não tem sintoma algum.
Chamamos isso de "eliminação viral assintomática". O vírus resolve dar um passeio até a superfície da pele, mesmo sem causar lesões, e pode ser transmitido nesse contato. Estima-se que isso aconteça em 1% a 3% do tempo em pessoas com HSV-2 — o que não é pouco, não.
MITO!
Essa confusão é antiga. O HSV-1 (aquele clássico da "ferida no lábio") também pode causar herpes genital. Como? Através do sexo oral, é claro!
Uma pessoa com herpes labial ativo faz sexo oral em alguém e... pronto: o HSV-1 encontrou um novo lar na região genital. Aliás, os especialistas têm notado um aumento nos casos de herpes genital causado por HSV-1 exatamente por causa dessa prática.
VERDADE: NÃO TEM CURA, MAS TEM CONTROLE.
Pois é, não é a notícia que você queria ouvir, mas é a verdade. Uma vez infectado, o vírus do herpes instala seu QG no seu corpo (mais especificamente nos gânglios nervosos) e fica lá... para sempre.
Mas calma, nem tudo está perdido! Os antivirais modernos são excelentes para controlar as crises, reduzir a frequência com que elas aparecem e diminuir o risco de transmissão. Ou seja: não dá para matar o monstro, mas dá para mantê-lo bem dormindo.
VERDADE... PELA METADE.
O HSV-2 realmente é quase sempre transmitido por via sexual. Mas o HSV-1, o queridinho das festinhas? Esse pode ser pego na infância, com um beijo de tia avó, compartilhando o copo da prima ou usando o talher da vovó.
Muita gente vive décadas com HSV-1 sem saber, achando que aquela "feridinha" que apareceu uma vez na vida foi só uma afta braba. A transmissão não sexual é extremamente comum.
VERDADE! (E COMO!)
Seu corpo é uma orquestra, e o estresse é aquele músico bêbado que desafina tudo. Quando você passa por períodos de estresse intenso (físico ou emocional), seu sistema imunológico fica mais vulnerável.
É nessa hora que o vírus, espertinho, aproveita a brecha para se replicar e causar aquelas bolhas incômodas. Outros gatilhos comuns? Febre (sim, outras infecções podem ativar o herpes), exposição solar excessiva, cansaço extremo e até TPM.
MITO ABSURDO!
Vamos aos números (e prepara que eles são impressionantes):
HSV-1: 3,8 bilhões de pessoas no mundo (sim, BILHÕES) — mais da metade da população global com menos de 50 anos.
HSV-2: 520 milhões de pessoas entre 15 e 49 anos.
Ou seja: raro é encontrar alguém que NÃO tenha tido contato com o vírus. O problema é que muitas pessoas não desenvolvem sintomas ou os sintomas são tão leves que passam despercebidos. Por isso a falsa impressão de que "ninguém tem".
MITO!
O herpes é democrático: pode aparecer em vários lugares! Claro que o mais comum é ao redor dos lábios e na região genital, mas também pode surgir em:
Dedo (chamado de "panarício herpético" — comum em dentistas e profissionais de saúde)
Olhos (herpes ocular — situação séria que requer atendimento urgente)
Bumbum e coxas
Dentro da boca (confundido com aftas, mas são lesões diferentes)
DEPENDE. PODE SER VERDADE... MAS NEM SEMPRE.
Para a maioria das pessoas, o herpes é realmente um incômodo passageiro: uma crise aqui, outra ali, e pronto. Mas existem situações onde ele pode ser perigoso:
Recém-nascidos: se a mãe tem uma crise ativa no momento do parto, o bebê pode ser infectado — e para ele, a infecção pode ser gravíssima.
Imunossuprimidos: pessoas em tratamento de câncer, transplantadas ou com HIV podem ter crises muito mais graves e prolongadas.
Olhos: o herpes ocular, se não tratado corretamente, pode levar à cegueira.
Procure um médico: sim, o básico. Ele vai avaliar seu caso e prescrever a melhor conduta (antivirais orais ou pomadas).
Evite contato durante as crises: sem beijos, sem sexo, sem compartilhar objetos pessoais.
Fortaleça sua imunidade: alimentação equilibrada, sono de qualidade e gestão do estresse fazem toda a diferença.
Use protetor labial com FPS: sol é gatilho comum para crises recorrentes.
Informe parceiros: comunicação é tudo. Seus parceiros merecem saber para tomarem decisões conscientes sobre a própria saúde.
O herpes é um daqueles temas que a gente precisa olhar sem vergonha e sem julgamento. Não é sentença, não é fim de mundo, não define caráter de ninguém. É apenas um vírus — chato, incômodo, mas perfeitamente manejável com informação e acompanhamento médico.
A TVSaúde.Org está aqui para lembrar: conhecimento não é só poder — é também acolhimento. Compartilhe esse artigo com alguém que precisa ler isso hoje.
Fontes: Medical News Today, OMS, Healthline