Treinamento Cognitivo Pode Reduzir o Risco de Demência em 25%: O Que a Ciência Revela e Como Aplicar no Dia a Dia

Publicado por: Feed News
22/02/2026 20:00:00
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Exercícios cognitivos estruturados podem fortalecer funções cerebrais e reduzir o risco de demência ao longo dos anos
Exercícios cognitivos estruturados podem fortalecer funções cerebrais e reduzir o risco de demência ao longo dos anos

Estudo de mais de duas décadas indica que exercícios mentais específicos, praticados por poucas semanas, podem atrasar o diagnóstico de demência — especialmente quando associados a um estilo de vida saudável.

 

Treinamento Cognitivo: Uma Estratégia Cientificamente Validada Contra a Demência

A demência é hoje um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Com o aumento da expectativa de vida no Brasil e no mundo, cresce também o número de casos de doença de Alzheimer e outras síndromes demenciais. Diante desse cenário, uma pergunta se torna urgente: é possível reduzir o risco de desenvolver demência?

Um estudo conduzido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) trouxe uma resposta promissora: um programa estruturado de treinamento cognitivo foi associado a uma redução de 25% no risco de demência ao longo do tempo.

Mais do que um dado estatístico, esse resultado aponta para uma estratégia prática, acessível e baseada em evidências científicas.

 

O Que Foi Avaliado no Estudo?

A pesquisa acompanhou adultos com mais de 65 anos por mais de 20 anos — um dos acompanhamentos mais longos já realizados nessa área. Os participantes foram divididos em três tipos de treinamento cognitivo:

Treinamento de memória

Treinamento de raciocínio

Treinamento de velocidade de processamento de informações visuais

Entre esses, o que apresentou melhores resultados foi o treinamento focado na velocidade de processamento, especialmente na capacidade de reconhecer objetos rapidamente sob estímulo visual.

Esse grupo foi o único em que se observou atraso significativo no diagnóstico de demência — sobretudo entre aqueles que realizaram sessões de reforço adicionais ao longo do tempo.

 

Por Que a Velocidade de Processamento É Tão Importante?

A velocidade de processamento está relacionada à eficiência com que o cérebro interpreta, integra e responde às informações do ambiente.

Na prática, ela influencia atividades como:

Dirigir com segurança

Tomar decisões rápidas

Identificar perigos

Lidar com múltiplos estímulos simultaneamente

Com o envelhecimento, essa capacidade tende a diminuir. O treinamento específico parece atuar fortalecendo circuitos neurais envolvidos na atenção, percepção e resposta rápida — áreas frequentemente comprometidas nos estágios iniciais da demência.

Segundo o diretor do NIH, Jay Bhattacharya, exercícios cerebrais simples realizados por algumas semanas já demonstraram impacto mensurável na preservação da saúde mental e da independência funcional.

 

Como Era o Programa de Treinamento?

O protocolo aplicado no estudo começou em 1999 e envolvia:

Sessões de 60 a 75 minutos

Duas vezes por semana

Durante 5 a 6 semanas

Alguns participantes receberam sessões adicionais após 11 e 35 meses.

Um ponto crucial: a dificuldade das tarefas aumentava progressivamente, adaptando-se ao desempenho individual. Esse princípio — chamado de treinamento adaptativo — é fundamental para estimular a neuroplasticidade.

Ou seja, o cérebro precisa ser desafiado de forma contínua e personalizada para fortalecer suas conexões.

 

O Papel da Neuroplasticidade

O cérebro humano mantém capacidade de adaptação ao longo da vida. Essa característica, conhecida como neuroplasticidade, permite que novos circuitos neurais sejam formados em resposta a estímulos adequados.

Treinamentos cognitivos estruturados funcionam como “academia para o cérebro”, promovendo:

Maior eficiência neural

Compensação de perdas naturais do envelhecimento

Retardo no aparecimento de sintomas clínicos

No entanto, como destacou Richard Hodes, diretor do Instituto Nacional sobre Envelhecimento (NIA), os mecanismos exatos ainda precisam ser aprofundados em novas pesquisas.

 

Treinamento Cognitivo Funciona Sozinho?

Os pesquisadores ressaltam que o melhor resultado ocorre quando o treinamento mental é associado a um estilo de vida saudável.

As evidências atuais indicam que a prevenção do declínio cognitivo envolve múltiplos fatores:

Atividade física regular

Alimentação equilibrada

Controle da pressão arterial e do diabetes

Sono adequado

Engajamento social

Portanto, o treinamento cognitivo deve ser entendido como parte de uma estratégia integrada de saúde cerebral.

 

O Que Isso Significa para o Brasil?

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, iniciativas de prevenção ganham importância estratégica.

Programas de estimulação cognitiva podem ser incorporados:

Em centros de convivência para idosos

Em unidades básicas de saúde

Em plataformas digitais

Em programas corporativos de envelhecimento ativo

A boa notícia é que não se trata de intervenções invasivas ou medicamentosas, mas de estímulos mentais estruturados e baseados em ciência.

 

Conclusão: Estamos Diante de Uma Nova Fronteira na Prevenção

Reduzir em 25% o risco de demência não é um detalhe estatístico — é um avanço significativo em saúde pública.

O estudo mostra que pequenas intervenções, aplicadas no momento certo e com método adequado, podem gerar impacto duradouro.

A prevenção da demência não depende apenas de genética. Ela envolve comportamento, estímulo cerebral e estilo de vida.

E a ciência começa a demonstrar que nunca é tarde para começar.

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