Sedentarismo mata: o alerta para quem tem diabetes

Publicado por: Feed News
18/02/2026 14:00:00
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Estudo revela que trocar o sofá por atividades físicas pode evitar até 10% das complicações graves do diabetes.
Estudo revela que trocar o sofá por atividades físicas pode evitar até 10% das complicações graves do diabetes.

Sedentarismo: O Inimigo Silencioso que Agrava o Diabetes Tipo 2

Imagine receber um diagnóstico de diabetes tipo 2 e, junto com ele, a sentença de que complicações graves como cegueira, insuficiência cardíaca ou um AVC são apenas "questão de tempo". Essa narrativa fatalista, infelizmente comum, acaba de ser desmontada por uma pesquisa que envolveu a análise de dados de quase 2,4 milhões de pessoas ao redor do mundo. E a boa notícia é que a chave para mudar esse destino pode estar mais perto do que você imagina: no tênis que está encostado no armário.

 

Um estudo inovador, conduzido pela pesquisadora Jane Feter, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e publicado no Journal of Sport and Health Science, jogou luz sobre um fator de risco que muitas vezes é subestimado: o sedentarismo. A conclusão é um verdadeiro choque de realidade para pacientes e profissionais de saúde.

 

O Número que Assusta (e Motiva)

Os cientistas descobriram que a falta de atividade física está diretamente ligada a uma parcela significativa das complicações mais temidas do diabetes. Os números são reveladores:

 

10,2% dos casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) poderiam estar associados a um estilo de vida sedentário.

9,7% dos casos de retinopatia diabética, a lesão nos vasos da retina que pode levar à perda da visão.

7,3% das ocorrências de insuficiência cardíaca.

Até 7% das doenças cardiovasculares em geral.

 

Ou seja, o estudo não apenas confirma o óbvio (que fazer bem faz bem), mas quantifica o estrago: até 10% dessas condições poderiam ser potencialmente evitadas com uma mudança de hábito. "As complicações são frequentemente vistas como consequências inevitáveis da doença. Nossos resultados colocam em dúvida essa alegação", afirma Feter.

 

O que Significa "Ser Ativo"?

Mas calma, não estamos falando em se tornar um atleta de alta performance. A organização mundial e os centros de controle de doenças estabelecem uma meta clara e acessível: pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada ou alta.

 

Para entender melhor:

 

Atividade moderada: É aquela que acelera os batimentos cardíacos, mas ainda permite conversar. Exemplos? Caminhada rápida, andar de bicicleta num ritmo leve, dançar, fazer jardinagem ou até mesmo uma limpeza mais pesada em casa.

Atividade intensa: Aqui o fôlego já fica mais curto. Estamos falando de corrida, natação, dança aeróbica, pular corda ou um trabalho braçal pesado no quintal.

 

O recado dos pesquisadores é simples: o remédio está ao alcance de todos, não exige receita médica (embora um check-up seja sempre recomendado) e custa muito menos do que o tratamento das complicações.

 

Um Alerta para Mulheres e Pessoas com Menor Escolaridade

A pesquisa também identificou grupos que merecem atenção redobrada. Mulheres e pessoas com níveis mais baixos de escolaridade apresentaram as maiores taxas de complicações ligadas à inatividade física. Isso acende um sinal de alerta para a necessidade de políticas públicas mais direcionadas, que tornem a atividade física acessível, inclusiva e uma prioridade para todos, independentemente de gênero ou condição social.

 

O Veredito Final

Este estudo da UFRGS transcende a medicina ao tocar na qualidade de vida. Ele prova que o paciente com diabetes tipo 2 não é um mero espectador da própria saúde. A pesquisa coloca a atividade física como um pilar tão importante quanto a medicação e a dieta.

 

"Incentivar a atividade física entre pessoas com diabetes pode reduzir internações, incapacidade, custos com saúde e, acima de tudo, melhorar a qualidade de vida", conclui a pesquisadora.

A mensagem final é clara e poderosa: o sedentarismo é um veneno silencioso, e o movimento é o antídoto. A escolha, mais uma vez, está em nossas mãos – e em nossos pés.

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