Protocolo VCD: o que você precisa saber sobre esse esquema de quimioterapia

Publicado por: Feed News
28/04/2026 09:00:00
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Protocolo VCD combina três medicamentos para combater o mieloma múltiplo. Saiba como funciona cada um.
Protocolo VCD combina três medicamentos para combater o mieloma múltiplo. Saiba como funciona cada um.

Guia completo para pacientes e familiares sobre o esquema VCD: como funciona, efeitos colaterais e cuidados essenciais durante o tratamento.

 

Você ou alguém próximo vai começar o protocolo VCD? Entenda o que esperar.

Receber um diagnóstico de mieloma múltiplo é assustador. Receber a notícia de que o tratamento é uma quimioterapia combinada pode gerar ainda mais ansiedade. Mas informação é o melhor remédio contra o medo.

O esquema VCD (também chamado de CyBorD) é um dos protocolos mais utilizados no mundo para tratar mieloma múltiplo, especialmente no Brasil, onde o SUS garante o acesso a essa combinação .

 

Vamos destrinchar cada detalhe.

O que é mieloma múltiplo?

Antes de falar do tratamento, vale lembrar o que essa doença faz. O mieloma múltiplo é um câncer que atinge as células plasmáticas — um tipo de célula de defesa do nosso corpo que produz anticorpos.

Quando essas células viram cancerosas, elas se multiplicam sem controle dentro da medula óssea (o "miolo" dos ossos). Isso pode causar:

 

Dores ósseas intensas

Fraturas frequentes

Anemia (cansaço extremo)

Problemas nos rins

Queda da imunidade

 

O tratamento não espera — e é aí que entra o protocolo VCD.

 

Como funciona o protocolo VCD?

O VCD é um esquema de indução — ou seja, usado no início do tratamento para reduzir a quantidade de células cancerosas o máximo possível . Ele pode ser usado antes de um transplante de medula ou como tratamento principal para quem não pode ser transplantado.

A sigla VCD vem dos medicamentos em inglês:

 

V de Bortezomib (Velcade®)

C de Cyclophosphamide (ciclofosfamida)

D de Dexamethasone (dexametasona)

 

Como é o ciclo de tratamento?

O protocolo segue um ritmo semanal :

 

Dias 1, 8, 15 e 22 de cada ciclo:

 

Bortezomibe: aplicação subcutânea (uma "agulhadinha" na barriga ou coxa)

Ciclofosfamida: comprimidos orais (tomar após o café da manhã)

Dexametasona: comprimidos orais (tomar pela manhã)

 

Dias 23 a 28: descanso (sem medicamentos)

Depois o ciclo recomeça. Normalmente são 4 a 6 ciclos antes de reavaliar o tratamento.

 

O que cada medicamento faz?

Bortezomibe — o "bloqueador"
Imagina que a célula cancerosa tem uma fábrica interna que recicla proteínas defeituosas. O bortezomibe desliga essa fábrica. As proteínas ruins se acumulam e a célula morre.

 

Ciclofosfamida — o "quebra-DNA"
Esse é o quimioterápico clássico. Ele entra no núcleo da célula e danifica o DNA. A célula tenta se dividir, mas o DNA está quebrado — e ela morre .

 

Dexametasona — o "potencializador"
Além de ter efeito direto matando células do mieloma, a dexametasona deixa as células mais sensíveis aos outros dois medicamentos.

 

Efeitos colaterais: o que esperar?

A honestidade é importante: o tratamento não é fácil. Mas conhecer os efeitos colaterais ajuda a enfrentá-los melhor .

 

Colaterais muito comuns (mais de 30% dos pacientes):

 

Cansaço extremo (fadiga)

Queda de cabelo

Náuseas e vômitos

Queda das defesas do sangue (neutropenia) — risco de infecções

 

Colaterais comuns (10-30% dos pacientes):

 

Formigamento em mãos e pés (neuropatia periférica)

Constipação ou diarreia

Perda de apetite

Insônia (por causa da dexametasona)

Inchaço no rosto e pernas

 

Colaterais menos comuns, mas graves:

 

Cistite hemorrágica (sangue na urina por lesão na bexiga) — prevenível com hidratação

Reações alérgicas

Problemas cardíacos

 

Cuidados essenciais durante o tratamento

1. Hidratação é prioridade
A ciclofosfamida pode lesionar a bexiga. A melhor prevenção é urinar com frequência. Beba de 2 a 3 litros de água por dia nos dias do medicamento.

 

2. Cuidado com infecções
Com a queda das defesas, qualquer febre acima de 38°C é uma emergência. Não espere — vá ao hospital.

 

3. Armazenamento correto da ciclofosfamida
Os comprimidos de ciclofosfamida devem ser transportados em caixa de isopor com gelo e guardados na geladeira — mas sem congelar e longe de alimentos .

 

4. Manuseio seguro
Use luvas se for manipular os comprimidos. Lave as mãos após o contato. A substância é tóxica para quem não está em tratamento .

 

5. Descarte correto
Não jogue blisters vazios no lixo comum. Leve de volta ao hospital onde você faz tratamento .

 

Quando o protocolo VCD é a melhor escolha?

O VCD é particularmente indicado para:

 

  • Pacientes com insuficiência renal (comum no mieloma)

  • Situações em que a lenalidomida (medicamento mais caro) não está disponível

  • Primeira linha de tratamento antes de decisão sobre transplante

 

A notícia boa

Estudos mostram que o protocolo VCD tem taxas de resposta acima de 80% em pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado. Muitos pacientes conseguem remissão completa ou parcial significativa após 4 ciclos.

 

Perguntas frequentes

Preciso internar para fazer o tratamento?
Não. O VCD é um protocolo ambulatorial. Você toma os comprimidos em casa e vai ao hospital só para a aplicação do bortezomibe .

 

Posso trabalhar durante o tratamento?
Depende. Alguns pacientes conseguem manter atividades leves. Outros precisam de afastamento devido à fadiga e à queda de imunidade.

 

O tratamento dói?
Os comprimidos não doem. A aplicação subcutânea do bortezomibe pode arder um pouco, mas é rápida.

 

Vou perder todo o cabelo?
A ciclofosfamida causa alopécia (queda de cabelo) na maioria dos pacientes. Converse com sua equipe sobre opções como perucas ou lenços antes de começar.

 

Importante dizer:

O protocolo VCD é uma combinação poderosa, acessível e eficaz contra o mieloma múltiplo. Não é um tratamento fácil — mas é um tratamento que funciona.

Informação, suporte familiar e acompanhamento médico próximo são os quatro pilares para atravessar esse período. E a boa notícia para o paciente brasileiro é que o SUS garante esse tratamento — desde que a ciclofosfamida continue disponível.

Por isso, a compra emergencial anunciada pelo Ministério da Saúde não é apenas uma notícia administrativa. É a garantia de que milhares de brasileiros vão continuar tendo acesso a um dos protocolos mais eficazes contra essa doença.

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