Compra internacional emergencial assegura continuidade da terapia contra câncer de mama, ovário, linfomas e leucemias após falha de fornecedor nacional.
O que acontece quando o único laboratório do país capaz de produzir um quimioterápico essencial enfrenta dificuldades técnicas? A resposta do Governo do Brasil veio em menos de um mês: compra internacional emergencial, distribuição imediata e estoque garantido até julho.
O medicamento é a ciclofosfamida, um dos pilares da quimioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS). Sem ela, tratamentos contra câncer de mama, ovário, linfomas e leucemias poderiam ser interrompidos. O risco de desabastecimento era real, mas não se concretizou.
O Ministério da Saúde investiu mais de R$ 1 milhão na aquisição internacional do fármaco por meio do Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). No total, foram adquiridas 140 mil unidades, sendo:
100 mil comprimidos de 50 mg
40 mil frascos-ampola de 1 g
O primeiro lote, com 7 mil ampolas, já chegou ao Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, foi um dos primeiros contemplados, recebendo 377 frascos-ampola.
De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, o abastecimento dos estoques do SUS está garantido até julho — prazo estabelecido pelo fornecedor nacional para regularizar sua produção.
“Não há desabastecimento na rede pública. O Ministério da Saúde agiu de forma estratégica para assegurar o estoque diante da dificuldade de produção apresentada pela empresa responsável”, afirmou a secretária.
Diferente de uma compra sem critério, o governo realizou um estudo detalhado com base:
Na necessidade apresentada por cada centro de referência em oncologia
No uso médio mensal do medicamento
A distribuição será gradativa, conforme agendamento prévio, e o envio às demais instituições ocorrerá de forma ordenada.
Com a regularização da oferta no mercado nacional, a aquisição e disponibilização da ciclofosfamida voltarão a ser realizadas pelos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) e pelas Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons). O acesso do paciente segue garantido pela Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade (APAC).
O Ministério da Saúde já solicitou à Anvisa que priorize a análise dos processos de importação do medicamento. As duas pastas se reúnem semanalmente para monitorar estoques e a capacidade de oferta do mercado nacional, assegurando que nenhum paciente seja deixado para trás.