Entenda como essa bebida tão brasileira pode proteger seu coração e cérebro, mas fique atento: o que você coloca na xícara é o que realmente faz a diferença.
Todo mundo já ouviu falar que aquele cafezinho logo pela manhã dá aquele gás para começar o dia. Mas o que a ciência está revelando vai muito além de uma simples sensação de bem-estar. O café preto, consumido de forma consciente, pode ser um verdadeiro aliado da sua saúde e, mais do que isso, pode te ajudar a viver mais.
No entanto, a grande questão não está apenas na xícara em si, mas no que você coloca dentro dela. Açúcar e gorduras em excesso podem simplesmente anular todos os benefícios que a bebida tem a oferecer.
Uma pesquisa inovadora publicada no The Journal of Nutrition analisou dados de mais de 46 mil adultos ao longo de vários anos e descobriu uma associação impressionante: pessoas que consomem de uma a três xícaras de café com cafeína por dia têm um risco menor de morte por todas as causas, especialmente por doenças cardiovasculares .
Os números são claros. Tomar pelo menos uma xícara diária foi ligado a uma redução de 16% no risco de mortalidade. Com duas a três xícaras, esse número chega a 17% . A conclusão é que o café preto, ou aquele com baixíssima adição de açúcar e gordura saturada, foi associado a um risco 14% menor de morte prematura . Porém, quando a bebida vinha carregada de aditivos, esse benefício simplesmente sumia.
A explicação está na composição do grão. O café é rico em compostos bioativos, como os antioxidantes e os ácidos clorogênicos . Essas substâncias combatem a inflamação e o estresse oxidativo nas células, protegendo o organismo contra diversas doenças .
A cafeína, por sua vez, vai além do estímulo para o cérebro. Ela ajuda a acelerar o metabolismo, melhora a sensibilidade à insulina e ainda atua na prevenção de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson . Estudos também mostram que a bebida pode proteger o fígado e reduzir o risco de falência cardíaca .
É aqui que muitos brasileiros escorregam. O estudo da Universidade Tufts foi um dos primeiros a quantificar como os aditivos podem destruir os benefícios do café .
A pesquisadora Fang Fang Zhang explica que a intenção foi gerar evidências sobre o que muitos já desconfiavam: o açúcar e as gorduras adicionadas podem enfraquecer os efeitos positivos do consumo de café . Quando falamos em "grandes quantidades", estamos falando de cremes, chantilly, caldas e colheradas generosas de açúcar que transformam uma bebida saudável em uma bomba calórica e prejudicial ao metabolismo da glicose.
Para ajudar o público a entender o que seria um "baixo teor", os pesquisadores definiram como limite:
Baixo teor de açúcar: até 2,5 gramas por xícara de 240ml, o que equivale a cerca de meia colher de chá .
Baixo teor de gordura saturada: cerca de 1 grama por xícara, o que equivale a 5 colheres de sopa de leite com 2% de gordura ou 1 colher de sopa de creme de leite .
"O café é um dos alimentos mais estudados do mundo e os benefícios do seu consumo moderado são indiscutíveis, principalmente para a prevenção de doenças crônicas como o diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. O grande segredo, porém, é que esses efeitos protetores são mais pronunciados quando a bebida é consumida pura ou com quantidades mínimas de aditivos. Incentivar meus pacientes a reduzirem gradualmente o açúcar no café tem sido uma das orientações mais eficazes para melhorar a qualidade da alimentação e colher os frutos desse superalimento."
Dra. Nagila Damasceno, Diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP)
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