Alívio para a dor crônica exige cuidado. Saiba por que o uso indiscriminado de AINEs pode comprometer seus rins, coração e estômago, e descubra alternativas mais seguras para o seu dia a dia.
Quem nunca recorreu a um anti-inflamatório para aliviar aquela dor nas costas ou nas articulações? No Brasil, essa é uma das classes de medicamentos mais consumidas, muitas vezes sem receita médica. O que muita gente não sabe é que o uso prolongado ou indiscriminado desses remédios, os chamados AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides), pode trazer riscos sérios à saúde, principalmente para os rins, o coração e o estômago.
Os anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e naproxeno são eficazes, de baixo custo e fáceis de encontrar. Tanto que, em um estudo, 76% dos participantes admitiram consumir esses medicamentos por conta própria, sem orientação médica . A dor é o principal motivo que leva à automedicação, e os AINEs são campeões nesse uso .
Porém, "o que é bom para a dor pode ser perigoso para o corpo", alertam os especialistas. O problema principal está no mecanismo de ação: esses fármacos inibem enzimas (COX-1 e COX-2) que, além de combater a inflamação, são essenciais para proteger o estômago e regular o fluxo sanguíneo nos rins .
Pouco se fala sobre isso, mas os AINEs estão entre os principais vilões da saúde renal. Eles podem reduzir o fluxo de sangue para os rins, levando a quadros de lesão renal aguda ou agravando uma doença renal crônica . O risco é até 50% maior em usuários regulares . Uma pesquisa com pacientes renais mostrou que 34,9% deles faziam uso de AINEs por automedicação antes do diagnóstico da doença .
Os efeitos gastrointestinais são os mais conhecidos. A inibição da enzima protetora do estômago pode causar desde azia e gastrite até úlceras gástricas e graves hemorragias digestivas . Estima-se que 15% a 30% dos usuários regulares apresentem úlceras visíveis em exames .
Os AINEs não seletivos podem aumentar a pressão arterial e o risco de trombose, infarto e AVC. Isso acontece porque o medicamento bloqueia as substâncias que protegem o coração, enquanto mantém ativas as que favorecem a coagulação . Pacientes com histórico de problemas cardíacos estão no grupo de maior risco .
Certos grupos estão mais vulneráveis aos efeitos colaterais dos AINEs:
Idosos: O envelhecimento reduz a função renal e hepática, potencializando os danos .
Hipertensos e Diabéticos: Essas condições já comprometem os rins, e o uso de AINEs agrava ainda mais o quadro .
Pessoas com Histórico de Úlcera ou Problemas Cardíacos: O uso é contraindicado ou deve ser feito sob rigoroso monitoramento .
Se você precisa usar anti-inflamatórios com frequência, siga estas recomendações:
Nunca se automedique: Consulte um médico para avaliar a real necessidade e a melhor opção para o seu caso.
Use a menor dose eficaz: E pelo menor tempo possível. O uso crônico é definido como mais de 3 vezes por semana durante mais de 3 meses.
Conheça os seus riscos: Saiba se você tem fatores de risco para problemas renais, gastrointestinais ou cardíacos.
Considere alternativas: Em muitos casos, terapias não farmacológicas (como fisioterapia, acupuntura, compressas) ou outros medicamentos (como o paracetamol) podem ser mais seguros para a dor crônica.
"A automedicação com anti-inflamatórios é uma das principais causas de lesão renal aguda que atendemos nos hospitais. Muitos pacientes chegam com uma condição grave, irreversível, por algo que poderia ter sido evitado com orientação médica. É fundamental entender que esses medicamentos, embora eficazes, são como uma faca de dois gumes. Para quem tem dor crônica, o acompanhamento médico é indispensável para um tratamento seguro e eficaz."
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